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Ninguém Sabe

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Dava trabalho de engolir e sempre grudava na garganta, mas tinha gosto de ouro. Todos os dias eram iguais, as mesmas regras para seguir. O porquê de ter que tomar aquelas pílulas ninguém sabia.

O que vocês estão fazendo comigo?”. Éden perguntou antes de passar pelo primeiro scanner.

Sempre se sentia tolo quando os indagava, já que ninguém respondia. Acreditar que eles também não sabiam era o único pensamento que lhe trazia paz e um dos poucos que ainda lhe restavam.

Luzes vermelhas se acendiam, mas ele nunca era barrado. Já houveram dias em que queria saber se existiam luzes de outras cores. Nunca dava tempo de parar e esperar pelos outros atrás dele e descobrir. Era sempre faça isso, faça aquilo.

Vinte e seis passos era a distância até a sala escura. Antes de passar pelo segundo scanner, um compartimento se abria na parede de onde pegava as pílulas para o dia seguinte. Um aviso sonoro lhe indicava onde tinha que se sentar. Assento número trinta e sete. Outra vez.

Éden encaixou o vórtex principal e fechou os olhos sem nenhuma esperança de que algo diferente fosse acontecer. Acompanhava o ritmo da sua respiração para tentar se acalmar. Pra dentro, e pra fora. Pra dentro… Pra fora. A jornada dentro do deserto da sua mente estava prestes a começar.

Era sempre a mesma visão, estava à deriva num oceano lotado de botes salva-vidas abandonados ao sol. Aos poucos ia se desfazendo, não sem antes olhar para cima.

Obrigado pelo presente!”. Gritou, para quem quisesse ouvir (ninguém queria).

Acima dele, o céu sorria. Se existia algo melhor do que aquilo, nem ele nem ninguém sabia.


👀 Este micro-conto foi baseado numa música que adoro: No One Knows do Queens of The Stone Age

📷 Foto por Cottonbro Studio no Pexels

📅 Originalmente escrito em 1 de Julho de 2020

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